Poema Soneto de Fidelidade de Vinicius de Moraes

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O poema “Soneto da fidelidade” foi escrito pelo grande poeta, compositor, literato e dramaturgo carioca Vinícius de Moraes. Ele viveu de 1913-1980 e foi autor de admiráveis obras, tendo passado até mesmo pelo cinema. Levava um estilo de vida boêmio, tendo se casado nove vezes: ou seja, seu conhecimento na área dos sentimentos era grande. A quantidade de obras realizada por ele é extensa. Vinícius de Moraes foi atribuído como um poeta lírico. A composição do poema “Soneto da Fidelidade” se dá como um belo soneto com métrica de 14 versos, divididos em dois quartetos e dois tercetos. Os versos

O poema “Soneto da fidelidade” foi escrito pelo grande poeta, compositor, literato e dramaturgo carioca Vinícius de Moraes. Ele viveu de 1913-1980 e foi autor de admiráveis obras, tendo passado até mesmo pelo cinema. Levava um estilo de vida boêmio, tendo se casado nove vezes: ou seja, seu conhecimento na área dos sentimentos era grande. A quantidade de obras realizada por ele é extensa. Vinícius de Moraes foi atribuído como um poeta lírico.

A composição do poema “Soneto da Fidelidade” se dá como um belo soneto com métrica de 14 versos, divididos em dois quartetos e dois tercetos. Os versos do “Soneto da fidelidade” são decassílabos e a rima é interpolada nas duas primeiras estrofes (seguindo o sistema ABBA), mas são mistas nos tercetos seguintes. No entanto, a rima nos tercetos comporta-se como se fosse um sexteto, porque combinam entre si, seguindo uma ordem rítmica.

Análise e Interpretação do Poema “Soneto da Fidelidade”

De tudo, ao meu amor serei atento antes
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

Na primeira estrofe, o autor realiza uma exaltação ao amor e, ao mesmo tempo, uma promessa de fidelidade a este; note o primeiro e segundo versos: “De tudo, ao meu amor serei atento, Antes, e com tal zelo, e sempre, […]”. Também ocorre a valorização deste sentimento e a atenção ao fato de cuidar para que ele não diminua diante de quaisquer circunstâncias, mas antes, que seja sempre engrandecido. “[…] mesmo em face do maior encanto, Dele se encante mais meu pensamento.”

Na segunda estrofe, ele continua mantendo seu sistema silábico, rimas e ritmo. Vinícius de Moraes enaltece o amor como um sentido para sua vida vã: “Quero vivê-lo em cada vão momento, E em seu louvor hei de espalhar meu canto”. A possibilidade de desfrutar tal sentimento gera em si prazer, mesmo não sendo este algo que lhe traga apenas felicidade, como é possível notar nos versos: “E rir meu riso e derramar meu pranto, Ao seu pesar ou seu contentamento”.

Na terceira estrofe (primeiro terceto), o sistema de rimas continua soante e com posicionamento externo, mas a disposição se torna interpolada com a estrofe posterior (A-C, B-A, C-B), e o ritmo continua heroico com a mesma marcação (2-4-6-8-10); a qualidade das rimas continua como raras e permanece a simetria e toda a estrutura das duas primeiras estrofes. Aqui, ele não prioriza o tempo, mas sim o fim das coisas, demonstrando sua contrariedade em relação à morte e ao amor: “Quem sabe a morte, angústia de quem vive, Quem sabe a solidão, fim de quem ama”, explicitando sua vontade de que a morte e a solidão não cheguem tão cedo: “E assim, quanto mais tarde me procure”.

Na última estrofe, o poeta expressa seu desejo de vivenciar este sentimento: “Eu possa me dizer do amor (que tive)”, sabendo que tal não durará para sempre: “Que não seja imortal, […]”, completando o sentido da estrofe anterior: “[…] solidão, fim de quem ama”, mas é imortalizado através de momentos “[…] que seja infinito enquanto dure”.

Há ao longo do poema elementos que caracterizam o autor como ser e como poeta, a forma narrativa utilizada (pois estabelece um conflito de pensamentos, considerando que o amor é bom, mas também pode ser ruim) deixa claro o tema do poema. O período aqui foi o segundo do modernismo, por isso considerado uma narrativa ideológica, no sentido de corresponder aos princípios que estruturam as poesias daquele período.

O modernismo objetivava uma nova forma de captar a realidade e interpretar a alma do sentimento humano a partir do mundo concreto; em seu primeiro período foram inseridos os “versos livres”, entretanto, em um segundo momento (modernismo) foi resgatado algumas formas poéticas anuladas no primeiro período modernista, como o soneto entre outras normas estruturais relativas ao ritmo, isso com o intuito de criar um equilíbrio formal na criação deste gênero textual, a poesia. Assim, este poema, apesar de ser um poema modernista, foi elaborado com uma estrutura clássica, observando as regras de ritmo, simetria, posicionamento, etc.

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